Mês: abril 2013

Pressa e relutância

Pressa = fazer qualquer atividade em ritmo acelerado, mais do que o normal, sentir necessidade de que algo termine mais rápido

Relutância, relutar = tender a não mudar, conter-se, evitar, não se alterar quando é necessário, ponderar demais, medo de agir.

Duas palavras das quais sempre tive que trabalhar. Em âmbito profissional, pressa, sempre a pressa de se terminar um projeto. Cada dia mais pressa, tem que terminar logo, para pegar outro, para terminar mais rápido, para pegar outro e mais outro para se terminar mais rápido ainda.

Cada dia vejo que somos transtornados com a pressa de se fazer algo, pressa de viver, de se fazer presente, ou ausente, ou pressa de se ter ou de ser.

E nossa relutância, ó insana relutância de se apegar a uma ideia e nunca mais tornar a querer vê-la de outro ponto de vista. De outro ângulo, de outros olhos.

Relutamos ao tentar nos abrir para outra pessoa, por medo de algo acontecer, e quando porventura fazemos, temos pressa, para fechar a porta o mais rápido possível. Pressa para não correr o risco de mais alguém entrar ou mais alguém arranhar os cristais ou rabiscar as paredes.

Relutamos em aceitar as outras pessoas como são.
Temos pressa de que nos aceitem como somos.

Relutamos em acatar os pontos de vista dos outros.
Temos pressa de que nosso ponto de vista seja aceito.

Relutamos em fazer o bem para a outra pessoa.
Temos pressa de que nos seja feito o bem.

Relutamos em abdicar de algo que nos seja importante.
Temos pressa de que a outra pessoa abandone a si mesma por nós.

Relutamos em nos dar tempo de conhecer as outras pessoas.
Temos pressa de que nos compreendam tão profundamente que nem nós consigamos ver tão perfeitamente.

Relutamos em abrir mão de nossos desejos e anseios.
Temos pressa de que nossos anseios e desejos sejam atendidos sempre.

Relutamos em doar nosso tempo para alguém.
Temos pressa de que tenham tempo para nós.

Relutamos em nos dar conta de viver cada momento da melhor maneira.
Temos pressa de viver e acabamos não vivendo nem 50% do que deveríamos a cada hora.

Relutamos em dizer que amamos alguém por medo de não sermos aceitos.
Temos pressa de que digam que nos amam.

Relutamos em amar as pessoas como são e não pelo que fazem.
Temos pressa de que nos amem incondicionalmente.

Relutamos em minar nossa felicidade.
Temos pressa em ser felizes com coisas que não trazem felicidade.

Relutamos em relutar.
Temos pressa de ter pressa.

Ciclo vicioso. Ciclo sem fim

Até que em determinado momento, a gente acaba vendo que nada é eterno, nada é duradouro.

Nem o tempo;
Nem o amor;
Nem a vida;

A única coisa que temos ao final da jornada são as marcas que a jornada deixou na gente, e as marcas que a gente deixou pelo caminho.