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Bibliotheca, uma proposta de novo design para a Bíblia

Cheia de números para marcar início e fim de versículos, texto disposto em colunas, aquelas letras tão apertadinhas e as folhas que, de tão finas, quase se rasgam. Uma experiência de leitura bem ruim, se compararmos com a leitura de um livro impresso clássico.

Interessado em conquistar para a história bíblica a mesma atenção dada pelos leitores a outros livros e títulos, o designer de livros Adam Greene imaginou qual seria um novo design, que pudesse fazer da Bíblia um livro menos hermético.

O resultado é o projeto Bibliotheca, que foi colocado para arrecadar fundos em um financiamento coletivo no Kickstarter. A proposta é bem interessante: transformar a Bíblia em uma ‘série’ de livros, divididos em volumes mais confortáveis de carregar, e com um visual que facilite a leitura. O cuidado de Adam é tanto que ele chegou a desenvolver uma fonte própria para o projeto, que traz o detalhe da letra manuscrita para a tipografia. Também saem as marcações de versículos, e ficam apenas os capítulos e as páginas, como em um livro tradicional. Nada de colunas também: o texto segue corrido pela página, como em qualquer outra literatura tradicional.

A proposta não é oferecer uma nova ‘versão universal’ da Bíblia, inclusive porque as referências de livros, capítulos e versículos são importantes para o estudo litúrgico, mas são irrelevantes para quem quer apenas acompanhar o conteúdo da Bíblia como uma história contada por diversos personagens. Cada um dos elementos do design da coleção Bibliotheca foi pensado para criar uma boa experiência de leitura, e não de pesquisa ou estudo.

Novo e Velho Testamento foram divididos em quatro volumes, e até o texto foi adaptado para facilitar a compreensão, removendo termos arcaicos e substituindo-os por alternativas contemporâneas. Em entrevista ao The Verge, Greene diz acreditar que o crescimento da venda de livros digitais não vai necessariamente acabar com a produção de livros de papel, e que essa pode ser uma oportunidade para criar volumes físicos esteticamente melhores. “Se usarmos os formatos digitais para conteúdos mais efêmeros, e reservarmos a ‘reverência’ de um livro físico para uma literatura mais perene, eu acho que veremos o ressurgimento de livros belíssimos”, especula o designer.

 

Fonte: Brainstorm9

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Dia de Reis

Durante a Idade Média, a Igreja Católica expandiu seu culto utilizando a figura dos magos. Portanto a história transformou-os em reis vindos de longínquas partes da terra; desta forma, Melquior, transformou-se num senhor de raça e barba branca, em alusão aos povos europeus; Gaspar era o representante do oriente, também com a pele branca mas com barba castanha; por último, Baltazar foi transformado num negro proveniente da África (chegou-se inclusive a representá-los sobre um cavalo, um camelo e um elefante, respectivamente).

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A celebração do Dia de Reis corresponde à “Epifania do Senhor”, ou seja, o dia em que Jesus foi apresentado publicamente pela primeira vez. Entretanto, a lenda dos Reis Magos que trouxeram presentes para o Messias, fez com que o dia 6 de Janeiro fosse consagrado popularmente em sua homenagem; principalmente na América Latina, onde tradicionalmente as crianças escrevem cartas aos Reis Magos e recebem presentes deles. De fato, a figura dos Reis Magos como os que trazem presentes é mais forte nos países de língua hispana que a própria figura de Papai Noel, que domina nos países de língua inglesa.
Faz parte da tradição que na noite de 6 de Janeiro, comemore-se com um jantar em família, coroado pela tradicional rosca de reis, dentro da qual vai escondida uma surpresa. Em alguns países quem encontra a surpresa é escolhido como rei da noite, enquanto em outros, como no México, quem encontra o bonequinho do “Menino Jesus’ se torna o padrinho devendo batizá-lo no dia 2 de Fevereiro e convidar novamente o grupo para comer tamales (pamonha mexicana) e tomar atole (bebida a base de milho).

Ser jovem nos dias de hoje

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O que é ser jovem nos dias de hoje? Como se encontrar no meio de tantas modas, manias, recalques? Que jovem é você? Não serei ninguém se em primeiro lugar não me encontrar comigo mesmo. Onde está meu coração? O meu verdadeiro amor está perdido dentro de mim e tenho que encontrá-lo.

Só podemos ter a força e a coragem de ir além e conseguir ir em busca de amar a nós mesmos e assim amar o próximo, de remar contra a maré, de amar os inimigos, se deixarmos Deus governar nossa vida. Fazer o que “eu quero e posso” é fácil, ir nas ideias dos diversos grupos da sociedade se “superficializando” e se rotulando não precisa de muito esforço. Contudo a coragem está em assumir o ser “diferente” que Cristo nos apresenta e abraçar o que é loucura para o mundo.

Nos dias de hoje o jovem anseia pelo novo, mas eu vos digo: “O NOVO ESTÁ NO MEIO DE VÓS, desde sempre EM VOSSOS CORAÇÕES”. Jovem, você que está na luta pelo amor e pelo que é bom, tenha a certeza de que é Deus que inflama teu coração e te chama a ser sinal no meio de todos. Os gestos concretos, o desprendimento, a doação são importantíssimos, ainda mais quando aliados ao seu, ao nosso, querer.

Ver os sinais de Jesus em seu tempo nos ensina a ser ousados como Ele, e no nosso caminho estar sempre em sintonia com o amor e a vontade do Pai, não segundo a vontade do mundo, mas segundo os planos de Deus. Nesse contexto temos a cruz, um símbolo muito forte. Carregar a cruz e seguir não implica tão somente “carregar a minha cruz”, mas também carregar o sofrimento daqueles que passam por mim, compromisso esse nobre, difícil, mas não impossível.

A Santidade nos dias de hoje é um grito e um anseio nos nossos corações. Mas nós estamos tão sobrecarregados com outras coisas e querendo saciar essa sede de tantas outras maneiras que tentamos saciar essa sede na busca por aquilo que não é duradouro e perfeito. Jesus nos dá a chance de caminhar com ele o caminho do calvário, e nos ensina a cair e levantar, pra mostrar que é possível, se não desistirmos é claro, caminhar rumo a essa santidade proposta. Sendo fiel no pouco e dando passos rumo ao céu, nossa morada eterna.

Texto: Graziela Rodrigues Moura de Melo

Pressa e relutância

Pressa = fazer qualquer atividade em ritmo acelerado, mais do que o normal, sentir necessidade de que algo termine mais rápido

Relutância, relutar = tender a não mudar, conter-se, evitar, não se alterar quando é necessário, ponderar demais, medo de agir.

Duas palavras das quais sempre tive que trabalhar. Em âmbito profissional, pressa, sempre a pressa de se terminar um projeto. Cada dia mais pressa, tem que terminar logo, para pegar outro, para terminar mais rápido, para pegar outro e mais outro para se terminar mais rápido ainda.

Cada dia vejo que somos transtornados com a pressa de se fazer algo, pressa de viver, de se fazer presente, ou ausente, ou pressa de se ter ou de ser.

E nossa relutância, ó insana relutância de se apegar a uma ideia e nunca mais tornar a querer vê-la de outro ponto de vista. De outro ângulo, de outros olhos.

Relutamos ao tentar nos abrir para outra pessoa, por medo de algo acontecer, e quando porventura fazemos, temos pressa, para fechar a porta o mais rápido possível. Pressa para não correr o risco de mais alguém entrar ou mais alguém arranhar os cristais ou rabiscar as paredes.

Relutamos em aceitar as outras pessoas como são.
Temos pressa de que nos aceitem como somos.

Relutamos em acatar os pontos de vista dos outros.
Temos pressa de que nosso ponto de vista seja aceito.

Relutamos em fazer o bem para a outra pessoa.
Temos pressa de que nos seja feito o bem.

Relutamos em abdicar de algo que nos seja importante.
Temos pressa de que a outra pessoa abandone a si mesma por nós.

Relutamos em nos dar tempo de conhecer as outras pessoas.
Temos pressa de que nos compreendam tão profundamente que nem nós consigamos ver tão perfeitamente.

Relutamos em abrir mão de nossos desejos e anseios.
Temos pressa de que nossos anseios e desejos sejam atendidos sempre.

Relutamos em doar nosso tempo para alguém.
Temos pressa de que tenham tempo para nós.

Relutamos em nos dar conta de viver cada momento da melhor maneira.
Temos pressa de viver e acabamos não vivendo nem 50% do que deveríamos a cada hora.

Relutamos em dizer que amamos alguém por medo de não sermos aceitos.
Temos pressa de que digam que nos amam.

Relutamos em amar as pessoas como são e não pelo que fazem.
Temos pressa de que nos amem incondicionalmente.

Relutamos em minar nossa felicidade.
Temos pressa em ser felizes com coisas que não trazem felicidade.

Relutamos em relutar.
Temos pressa de ter pressa.

Ciclo vicioso. Ciclo sem fim

Até que em determinado momento, a gente acaba vendo que nada é eterno, nada é duradouro.

Nem o tempo;
Nem o amor;
Nem a vida;

A única coisa que temos ao final da jornada são as marcas que a jornada deixou na gente, e as marcas que a gente deixou pelo caminho.

Saia de cima do muro

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“Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada.”
(Edmund Burke)

A tirinha acima mostra exatamente o que Burk quis dizer. Cada vez mais vemos jovens na igreja que consideram o simples fato de frequentarem as missas já é o suficiente.

É onde todos se enganam. Jesus não te chama pra ser expectador e assistir a tudo de camarote com os braços cruzados. Ele quer ver o seu empenho. O próprio Cristo colocou a “mão na massa” e partiu pro trabalho junto de seus discípulos.

Mas o que leva aos jovens de hoje que frequentam a igreja, grupos de jovens, crisma e outros ministérios da comunidade a não terem motivação pra se engajar na obra de Cristo?

Medo? Vergonha? Falta de tempo?

Lembrem-se: não temos muito tempo nessa vida. Ela é curta e passa rápido demais. Precisamos agir hoje!

Se você acha que não está engajado na messe de Jesus, agora é a hora de começar. Não deixe pra amanhã.

E se você já está trabalhando forte na sua comunidade, não deixe que seus amigos de grupo se enfraqueçam, que desistam. Temos a obrigação de motivá-los a continuar na caminhada.

Desça do muro, pois ele pertence ao inimigo e vá pro lado que Jesus está chamando e comece agora a trabalhar.

 

O valor do trabalho em equipe – Os gansos

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O ganso do Canadá, ave migratória, causa especial admiração por suas particularidades. Voando em bando, cruza terra e mar em formação de V, semelhante às esquadrilhas de aviões de caça, cobrindo um percurso de milhares de quilômetros. Sua estratégia: o líder e os da frente, batendo as asas, rasgam o vento, provocando o vácuo criando uma sustentação para a ave seguinte. Voando em formação “V”, o grupo inteiro consegue voar pelo menos 70% a mais do que se cada ave voasse isoladamente. Quando o cansaço mina as forças dos que estão na vanguarda, estes se deslocam para trás e são substituídos por outros com vigor renovado.

Quando pessoas que compartilham de um mesmo sonho e uma mesma direção andam juntas, elas chegam mais rápido por que juntas elas produzem um ambiente positivo de fé.

Sempre que um ganso sai fora da formação e imediatamente sente o peso de voar só, rapidamente ele retorna à formação.

Sabemos que há segurança no grupo e na comunhão e poderemos viver a vida cristã mais facilmente se o fizermos na formação do grupo.

Quando o ganso líder se cansa ele reveza, indo para a traseira do “V”, enquanto outro toma a dianteira.

Quando temos de fazer um trabalho árduo também necessitamos de revezamento. O grupo só vai avançar se todos se revezarem pelo encargo da palavra e da reunião.

Os gansos que vão atrás na formação grasnam o tempo todo para que aqueles que estão à frente mantenha o ritmo e a velocidade.

É um fato da vida que todos necessitamos de estímulo, elogio e apoio para avançarmos em nosso trabalho.

Quando um ganso adoece ou se fere e deixa o grupo, dois outros gansos saem da formação e o seguem para ajudar a protegê-lo. O acompanham até a solução do problema e então reiniciam a jornada no seu grupo original ou se juntam a um novo grupo.

O grupo é um lugar de solidariedade e compromisso mútuo. Não podemos abandonar o nosso irmão quando está em lutas e dificuldades. É uma jornada de solidariedade!

Cristo confiou a seus discípulos a proclamação do evangelho, tarefa que exige o mesmo sentido de cooperação revelado pelos gansos, e que era escasso na igreja de Corinto, dividida em grupos e complacente com o pecado. Paulo censurou-os por isso. Disse: “Há inveja e divisão entre vocês” (1Cor 3;3), mas por outro lado animou-os, também dizendo-lhes: “Nós somos cooperadores de Deus; vocês são lavoura…” (1Cor 3;9).

A conquista da alma humana é a missão que nos foi confiada e somente será bem sucedida se em lugar da fogueira da vaidade e cooperação e a humildade forem a força que move os propósitos dos que trabalham no Reino de Deus. No exercício da vida cristã é insuficiente o provérbio que enfatiza o individualismo: “Cada um por si e Deus por todos”. Melhor será valorizar a filosofia de outro provérbio popular: “A união faz a força”. Precisamos de Paulos e Apolos. Enfim, na travessia do oceano da vida, ninguém será vencedor em voo solitário.

Deus precisa de servos que sejam solidários e responsáveis como os gansos e busquem antes o interesse da igreja e do seu Reino. Você está engajado na obra de Cristo? Pois bem! Desconsidere qualquer pretensão de “voo solo” e agregue-se à equipe que ele convocou: sua igreja. Trabalhando em cooperação, você será beneficiado com a alegria e a bênção da comunhão e o triunfo maior será o crescimento do Reino de Deus.

Grupo, amizade e pessoa

Quantas vezes, em nossa juventude, nos traímos em pensamento, divagando sobre a necessidade e a importância das pessoas, de amigos e amigas na construção de nossa identidade, de nossa personalidade e de nosso projeto de vida!

Uma “traição construtiva”. Ainda que queiramos nos afirmar “autossuficientes”, a vida da gente nos ensina certas coisas que só o coração pode explicar. Ou melhor, só dá para explicar de coração. Ou será que só é possível explicar ao coração?

Por trás de nossas “fortalezas edificadas”, brilha sempre – fogosa, ardente excitante – a busca eterna do sentido de ser, de sondar as profundezas dos ideais, das angústias, de conhecer… Mesmo que abafemos seu brilho, resfriemos seu calor… no descuido, ela está lá. Do jeito que a deixamos, no ponto onde paramos…

Há dentro de nós um “princípio” que nos move ao diálogo, ao relacionamento, à participação, ao encontro: a amizade. A necessidade de descobrirmos “O Diferente” que existe em cada pessoa. Quando me descubro em mim, já sou eu em ti e tu em mim! Distantes muitas vezes, ausentes nunca, jamais é tarde para o encontro, para a conversa. “Um tempo sem fronteiras, fantasias pelo ar, o mundo é meu, é só deixar…” (Flávio Vezzoni).

Para isso, não é difícil perceber que há sempre muito mais para se caminhar do que todo o percorrido. Ao longo de toda a vida, a busca de sentido fundamental da existência vai-se assemelhando a “cavar um buraco em água!” Constitui-se simultaneamente numa decepção e numa alegria. Decepção por nunca ver aumentar a profundidade do buraco. Alegria por saber que, por mais que se “cave”, sempre haverá muito mais água chegando para tomar o lugar daquela que foi retirada” “Prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. (Raul)

Por esta razão torna-se tão importante a participação e o envolvimento em grupos de referência. Seja em grupos para esportes, de música, de estudos, teatro, grupos de jovens… a “turma” é que marca nossa juventude. É a “água nova” preenchendo o espaço do que julgamos já ter conseguido alcançar. O grupo reproduz uma sociedade em miniatura. É um laboratório de sociedade, espaço de participação, de individualidade e coletividade pedagógicas na nossa formação. Nos desacomoda, projeta, conquista.

Fundamental é a amizade

A amizade deve ser buscada. Ela ou é verdadeira, ou não é amizade. É manifestação da alma perscrutando o infinito, fugindo à distância e ao tempo, criando eco na pessoa do outro, da outra, unindo culturas, línguas, religiões… comprometendo, sonhando!

“Sonho que se sonha só, é ilusão!” Em grupo é diferente! Nem melhor, nem pior. O diferente é simplesmente diferente. Por si próprio. O grupo torna “pessoa, os anseios e projetos conhecidos nas relações de “seres em rotação universal”. “O novo” que brota, é sacramento da busca eterna. Ao final, o que há de ficar serão os semblantes, as confidências, as pessoas…

“Mas quem cantava, chorou ao ver seu amigo partir. Mas quem ficou, num pensamento voou, com seu canto que o outro lembrou. E quem voou no pensamento ficou com a lembrança que o outro cantou” (Milton).

Gilberto Flach (Beto)
Artigo publicado na edição 285, jornal Mundo Jovem, março de 1998, página 17.